Durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH),
nesta quarta-feira (2), a procuradora Margaret Matos de Carvalho confirmou as
denúncias veiculadas pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC), em reportagem do
dia 18 de maio último, sobre o uso de mão-de-obra infantil no cultivo e preparo
das folhas de fumo no estado. Margaret é procuradora do Ministério Público do
Trabalho no Paraná. Ela disse que milhares de menores são usados nas lavouras
tanto no Paraná quanto no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
A procuradora também acusou a indústria do fumo de praticar "endividamento
crescente" das famílias plantadoras, mantendo esses fumicultores em "situação de
servidão", pois fornecem aos agricultores os produtos necessários para o
cultivo. Segundo ela, as crianças que trabalham com o manuseio das folhas de
fumo apresentam problemas de déficit cognitivo e de lesão por esforço
repetitivo.
O senador Flávio Arns (PT-PR), autor do requerimento para realização da
audiência pública, acrescentou que estudos acadêmicos demonstram que essas
crianças apresentam níveis de nicotina no organismo superiores aos dos próprios
fumantes.
De acordo com a procuradora Margaret, as indústrias do fumo já foram
acionadas na Justiça por meio de ação civil pública. Ela sugeriu que os
ministérios convidados para a audiência (do Trabalho e Emprego, do
Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) promovam
diligências para fiscalizar as regiões produtoras de fumo. Arns avisou que as
acusações da procuradora serão enviadas pela CDH para os três ministérios, com o
objetivo de cobrar desses órgãos a obrigação de implantar a Convenção-Quadro
Para o Controle do Tabaco no Brasil.
Margaret disse que 200 mil brasileiros morrem anualmente devido a doenças
causadas pelo tabagismo e acrescentou que a indústria do fumo no Brasil é
dominada por empresas transnacionais. Para ela, o governo brasileiro deve exigir
reparações dessas empresas pelos danos causados pela indústria fumageira, como
os prejuízos à saúde dos fumicultores e os prejuízos ambientais devido a
agrotóxicos, entre outros.
Representando o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o assessor Flávio Pércio
Zacher também participou da audiência pública. Ele informou que, no próximo dia
11, o ministro visitará a região do município de Santa Cruz de Monte Castelo
(PR) e percorrerá lavouras e indústria do fumo, além de promover audiência
pública sobre a questão do trabalho infantil. Disse também que o Brasil é o
maior exportador mundial de fumo.
Representantes
de fumicultores e da indústria do fumo contestam denúncias sobre trabalho
infantil no setor