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Ano 64 - quinta-feira, 03 de julho de 2008
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Editor: Maria Rosilane | rose@gazetadosul.com.br
Ministério do Trabalho vai fiscalizar lavouras de fumo
DENÚNCIA > OBJETIVO É SABER SE HÁ USO DE MÃO-DE-OBRA INFANTIL
Arns: política pública para a questão
Maria Luiza Nunes
luiza@gazetadosul.com.br
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Uma fiscalização do Ministério do Trabalho na região fumageira de todo o Brasil, para verificar se há o emprego de mão-de-obra infantil na produção de tabaco, pode ser a principal conseqüência da audiência pública realizada ontem à tarde em Brasília.

O debate solicitado pelo senador Flávio Arns (PT-PR) e presidido pelo também senador Paulo Paim (PT-RS) teve origem nas denúncias veiculadas em maio na mídia paranaense e em rede nacional pela Globo. Elas acusavam fumicultores do Paraná de utilizar os filhos no cultivo e manuseio do tabaco. Os entrevistados disseram que desobedecem o Estatuto da Criança e do Adolescente em razão das crescentes dívidas contraídas junto às indústrias fumageiras, com as quais mantêm contrato de produção integrada. Os débitos estariam impossibilitando a contratação de mão-de-obra. A audiência contou com a participação de representantes dos ministérios da Agricultura e do Trabalho; da indústria fumageira e dos produtores de tabaco, além do Ministério Público do Trabalho do Paraná, autor da denúncia.

Conforme o senador Arns, a fiscalização pretende verificar se há de fato a presença de crianças e adolescentes na produção do fumo. Segundo ele, também será constituído um grupo de trabalho para discutir o assunto, precedendo uma nova audiência pública que deve ocorrer em aproximadamente dois meses. Ele cobrou do governo federal a criação de uma política pública para colocar em prática o acordo internacional que prevê medidas de restrição ao fumo. Ao Ministério da Saúde, solicitou estudo sobre níveis de nicotina eventualmente absorvidos na plantação e manuseio do fumo. “Vamos exigir essas iniciativas porque o que se quer é que tudo esteja de acordo”, acrescentou.
 
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