Sábado, 06/12/2008
Fabio Conterno/Gazeta do Povo
Paraná é o terceiro produtor, com 17% do volume produzido no
país. Maior exportador de fumo do mundo, o Brasil vai continuar aumentando a
produção enquanto países como Estados Unidos e Índia estiverem recuando no
setor. A ampliação da renda das exportações, que deve atingir US$ 2,6 bilhões
neste ano, pôs a fumicultura brasileira na contratendência internacional. A
avaliação partiu ontem do SindiTabaco, em Porto Alegre (RS), durante
apresentação de uma pesquisa sobre o funcionamento da cadeia do fumo,
concentrada no Sul do país.
As indústrias vão continuar incentivando o cultivo como fizeram mais fortemente em 2006, época em que Estados Unidos e Zimbábue confirmaram redução na cultura, disse o presidente do sindicato, Iro Schünke. A previsão é que a colheita atual chegue a 760 mil toneladas (650 mil para exportação), resultado 5,5% superior ao da safra passada. O Paraná responde por 17% da produção nacional, Santa Catarina por 33% e Rio Grande do Sul por 50%.
Schünke disse que o SindiTabaco, antigo Sindifumo, trocou de nome dentro de um política de divulgar mais abertamente suas ações no Brasil. O estudo que mostra o perfil da cadeia produtiva do fumo revela pontos positivos, como a estabilidade oferecida pelo sistema de integração, e também negativos, como o endividamento dos produtores e as manobras na classificação do fumo na indústria.
Depois de esmiuçar os problemas, que desanimam os fumicultores e põem em risco a sustentabilidade econômica da cadeia, o pesquisador Antonio Márcio Buainain, da Universidade de Campinas, disse que ainda há condições para ampliar a produção. Na avaliação de Hildo Meirelles de Souza Filho, da Universidade Federal de São Carlos, a organização do sistema produtivo atingiu um ponto que permite planejamento neste sentido. “Só a cadeia do frango é mais organizada que a do fumo”, comparou.
Os dois pesquisadores de São Paulo desenvolveram a pesquisa em 2005. Os resultados estão sendo divulgados agora por causa do aniversário de 90 anos do sistema de integração, que abrange cerca de 80% dos produtores, segundo o próprio estudo. Eles foram contratados por advogados da indústria do fumo, mas garantiram que não houve manipulação de dados para favorecer o setor.
A perspectiva dos cientistas e do SindiTabaco bate de frente com a avaliação de organizações como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep). O diretor de Políticas Agrícolas da entidade, Mário Plefk, diz que certamente haverá redução no cultivo. Ele considera que existe uma série de ações orquestradas neste sentido. Além da Convenção Quadro, da Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê eliminação do cultivo na próxima década, há programas que inserem pouco a pouco culturas alternativas como frutas, observa.
“O fumo não vai acabar por causa da Convenção Quadro. As pessoas não vão parar de fumar e a cultura é uma importante fonte de renda para o agricultor. Mas, certamente terá sua área reduzida”, assinala. Para o representante da Fetaep, a tendência é o fumicultor produzir menos com mais qualidade e com certificado de que não usa mão-de-obra infantil.
O jornalista viajou a convite do SindiTabaco.
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