Edição Impressa - Economia

Comissão aumenta imposto 2008-07-07 00:05

Bruxelas quer impor forte aumento do preço do tabaco

Decisão requer unanimidade, mas o principal receio são as tentativas de caminhar para uma harmonização do imposto.

Luís Rego em Bruxelas e Paula Cravina de Sousa

O preço do tabaco vai voltar a aumentar. A Comissão Europeia liderada por Durão Barroso vai apresentar a 16 de Julho uma proposta legislativa para elevar “de forma significativa” a tributação mínima do tabaco adaptando-a ao combate ao tabagismo. Trata-se da primeira revisão do imposto depois da implementação europeia da nova geração de políticas agressivas contra o consumo de tabaco.

“O tabagismo é a primeira causa de morte evitável na Europa. O nível da tributação é um elemento crucial para a determinação do preço final do Tabaco e, por isso é um instrumento eficaz para lutar contra o tabagismo”, defende a Comissão numa nota preliminar da proposta. O comissário europeu da Fiscalidade, Laszlo Kovacs, adianta que “a proposta legislativa vai também fazer com que as regras existentes sejam coerentes com o objectivo europeu de desencorajar o consumo de tabaco”. Uma fonte próxima fala de uma subida “significativa” dos mínimos: tanto do imposto sobre o preço do tabaco (’ad valorem’) – actualmente 62,24% em Portugal e com um mínimo de 57% na UE – como do imposto fixo por cada mil cigarros – que é de 102,7 euros em Portugal respeitando o mínimo de 64 euros na UE.

Para o tabaco de enrolar, cigarrilhas ou charutos a lógica será a mesma, apesar de terem níveis “mínimos” de imposto mais complexos.

Em Portugal, os níveis de tributação até estão ligeiramente acima da média europeia mas se esta proposta for avante o país acabará por acompanhar essa tendência. Tal como toda a fiscalidade a decisão requer unanimidade entre os governos, mas o receio é mais as tentativas de Bruxelas caminhar para uma harmonização do imposto do que a tributação em si.

A quebra de receitas orçamentais e o recurso ao contrabando são eventuais consequências de um forte aumento do preço, de acordo com fiscalistas ouvidos pelo Diário Económico. Mas a procura de maior estabilidade de encaixe e o combate à fraude são justamente alguns dos motivos avançados pelo comissário Kovacs para sustentar esta revisão da tributação do tabaco.

O fiscalista Paulino Brilhante Santos defende que “são más notícias para o Governo, porque se prevê uma quebra de receita ainda mais acentuada do que a que se tem feito sentir”. A receita arrecadada pelo Estado com o imposto sobre o tabaco foi a que mais caiu nos primeiros cinco meses do ano, em 18,5%, para os 227,1 milhões de euros, de acordo com os dados da Direcção-Geral do Orçamento (DGO). Miguel Teixeira de Abreu, outro fiscalista, confirma que “a partir de determinado momento, há uma retracção da receita, devido ao aumento do imposto”. Por sua vez, João Espanha antevê um aumento do contrabando. “Há vários fenómenos que poderão surgir pelo aumento do imposto: um pico do consumo para aproveitar os preços antigos, o desvio para marcas de tabaco mais baratas e um aumento do contrabando”.

A iniciativa da Comissão integra-se na revisão periódica, cada quatro anos, da tributação do tabaco. Desta feita, Bruxelas quer modernizar toda a estrutura do imposto, colmatando algumas deficiências legais que potenciam o contrabando.

“A proposta vai modernizar a legislação existente, tornando-a mais transparente e simples de forma a criar uma ‘level playing field’ para os produtores, importadores e retalhistas e para assegurar estabilidade de recursos orçamentais para os estados membros”, explicou o Comissário na semana passada no Parlamento Europeu. Contactado o Ministério das Finanças não comentou a iniciativa até à hora de fecho da edição.

IVA mínimo nas fraldas é aceite
As fraldas para bebé vão juntar-se à categoria dos calções anti-incontinência. Bruxelas vai dar hoje o braço a torcer no processo que chegou a lançar contra Portugal no passado por este ter reduzido, à revelia das orientações europeias, o IVA das fraldas da taxa normal para a taxa mínima (5%). É uma vitória tardia para o então ministro das Finanças, Bagão Félix. O Governo acabou por não mexer na medida. Se a proposta de Bruxelas for aceite o IVA de 5% é abençoado para “todos os produtos de higiene absorventes (incluindo fraldas de bebé)”.

Comentários
 
Olho Vivo
Parece-me muitissimo bem que o tabaco seja fortemente aumentado, e não só. Todos os artigos superfulos deviam levar fortes aumentos. sendo o tabaco o prioritário, uma vez que prejudica a quem fuma e a quem não fuma. Mas o que tem aumentado são os bens alimentares, que deviam ter preços mais acessiveis para que todos podessem ter uma alimentação variada como deve ser.
 
Pedro Miguel
Acho muitíssimo bem. O tabaco devia aumentar no mínimo 100%. Este horrível vício deve ser fortemente combatido. São milhões de seres humanos que morrem todos os anos com cancro e outras doenças horríveis provocadas pelo tabaco.
 
Perrymason
Já agora, para substituir as receitas do tabaco ( 227 milhões em cinco meses ), qual é o imposto ou impostos que o governo deve aumentar. Precisam-se ideias.
 
fernanda porto
Acho uma péssima ideia ! 1º- acabam com a única "válvula de escape" do stress das pessoas "normais" 2º- incentivam o "mercado negro" e o contrabando com toda a criminalidade que lhes está associada 3º- incrementam o uso e abuso de ansiolíticos e todo o tipo de drogas para dormir e acalmar 4º- vão ter que ir buscar o equivalente em receitas fiscais a bens mais básicos e essenciais 5º- os falsos "defensores da saúde alheia" ficam sem "razão de existir"
 
 
envie o seu comentário
 
nome:
email (opcional):
comentário:
Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O DE reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

Publicidade

Edição Impressa (em PDF)



Versão PDF: 8,64 MB

Clique na imagem acima para aceder ao DE
em formato PDF.

Apenas por 1 Euro poderá descarregar
directamente para o seu computador
a edição integral do Diário Económico.

Envie um sms com a palavra ‘depdf’
para o número 4434 para obter a sua password
e nome de utilizador.

Venda válida apenas para linhas telefónicas portuguesas.

[an error occurred while processing this directive]