Que o cigarro faz mal à saúde, todos estão cansados de saber. Mas dentro
de uma empresa, o cigarro, junto ao café, vira quase uma "prática social". Só
que esse hábito que une pessoas ao redor de uma xícara de café e de um cinzeiro
não agrada muito na hora da contratação, tanto que uma pesquisa revela que
empresários preferem os não-fumantes aos fumantes.
A pesquisa é da Catho
Online, que ouviu mais de quatro mil pessoas, entre presidentes, vices,
diretores, gerentes e supervisores de empresas de todo o Brasil, e verificou que
81% dos entrevistadores têm restrições à contratação de pessoas que fumam.
O levantamento mostra que o índice de rejeição foi ainda maior entre os
presidentes e diretores. O que mais preocupa àqueles que fumam e que estão à
procura de um emprego no entanto é que, em relação aos levantamentos anteriores
feitos pela Catho, tem aumentado a restrição à contratação de
fumantes.
Na campanha contra o tabagismo, vale de tudo. Algumas empresas
até adotaram programas para ajudar seus empregados a largar o vício da nicotina.
Vale de tudo: de terapias alternativas a tratamentos médicos à base de
anti-depresssivos, adesivos e goma de mascar.
O Brasil possui mais de 30
milhões de tabagistas e eles sabem o quanto é difícil deixar o cigarro. Estudos
indicam até que 80% daqueles que declaram que gostariam de largar o vício,
apenas 3% o conseguem de fato. Portanto, a luta dentro das companhias é
constante e válida.
Na briga contra o vício, vale também apelar para o
bom-senso e para os números, claro, que não mentem. Estatísticas assustadoras
entram nas armas que os empresários usam para ajudarem seus funcionários, como a
que revela que 90% dos casos de câncer estão relacionados ao tabagismo; ou as
que mostram que em países em desenvolvimento o cigarro matará 7 milhões de
pessoas nos próximos 20 anos.
Uma outra vertente desse desafio é apelar
para as finanças. Manter um empregado que fuma sai caro. As empresas de seguros
de saúde calculam que os planos empresariais custariam 40% menos, se não
houvesse fumantes. Sem falar ainda nos gastos indiretos, como a fumaça que pode
oxidar os equipamentos eletroeletrônicos e de informática, ou as queimaduras que
encurtam a vida útil de móveis, carpetes e cortinas.
Certas empresas não
se satisfizeram apenas com a implantação de um "fumódromo", e implantaram
programas que envolvem até a família do fumante. A ofensiva pode ser mais
direta: algumas fábricas italianas chegaram até a cortar o salário de
funcionários fumantes para compensar o tempo que eles gastam fumando - em média
uma hora.
As iniciativas são válidas e apenas mostram que as empresas
estão cada vez mais preocupadas com o controle do tabagismo dentro de suas
organizações. Nessa empreitada, todos saem ganhando: funcionário, empresa,
meio-ambiente. Melhora-se o convívio social, as finanças e, acima de tudo, a
saúde.