O chique é
não fumar
Uma
pesquisa conduzida pela Universidade Federal de São Paulo Unifesp e
Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro divulga dados
alarmantes sobre o cigarro. Nada menos do que 19,3% é o percentual
de fumantes no Brasil, algo em torno 35 milhões de pessoas.
Os números parecem muito altos quando se lembra que, nos
últimos 20 anos, as campanhas de esclarecimento sobre os males que o
fumo provoca ao ser humano são maciças e atingem um número cada vez
maior de pessoas.
Até por volta da década de 80 fumar era
uma coisa considerada chique, embora a medicina já atribuísse ao
vício do tabaco a responsabilidade pela maioria dos males que mais
matam as pessoas. Bem antes disso era comum a ditadura do fumante
sobre o não fumante, pois aquele exercia o seu “pseudo-direito” de
fumar onde quer que se encontrasse, fosse ou não fosse incomodar
outras pessoas.
Foi naquela década que o mundo descobriu em
toda sua crueza os males que o fumo faz. Começaram a ser divulgados
os resultados de pesquisas sobre o cigarro e as mortes provocadas
diretamente por ele, e surgiram as primeiras movimentações para se
manter campanhas permanentes de esclarecimento da opinião pública,
nos moldes da lei aprovada pelo Congresso, determinando que toda
embalagem de cigarro passasse a veicular propaganda mostrando as
conseqüências do vício de fumar.
A proibição de publicidade
de cigarro em horários mais vistos por crianças, ou de propaganda
ligando o hábito de fumar aos esportes mais difundidos no mundo,
também representou um duro golpe tanto para a indústria do cigarro
quanto para aqueles que são dependentes do uso dele.
O
momento atual, segundo sugere o resultado da pesquisa, indica que é
hora de repensar tudo que já foi e é feito contra o cigarro,
considerando que a guerra contra ele não foi vencida, nem tampouco o
será apenas com a estratégia atual. É preciso intensificar as
campanhas, mostrar a mais pessoas os males do fumo, coibir a
facilidade com que qualquer menor de idade adquire cigarros em
qualquer esquina, enfim, é hora de se adotar novas medidas de
combate ao fumo.
O esclarecimento das crianças, que são os
potenciais e prováveis fumantes do futuro, ainda parece ser o melhor
caminho. Aliás, a pesquisa ora divulgada constatou que pouca
escolaridade dos pais significa maior número de filhos fumantes.
Por fim, nunca é demais lembrar que “fumar é brega”, já
dizia Ziraldo.
LUIZ CESAR DE MORAES é editor de
Opinião do Diário
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