16/04/2008 - 11h08
O excesso na hora de fumar e beber pode antecipar os sintomas
do mal de Alzheimer em cerca de oito anos, afirma um estudo divulgado nesta
quarta-feira (16). E, quanto mais cedo a doença chega, mais casos se somam nos
hospitais, afirmam os médicos.
“A prevalência do Alzheimer aumenta de
acordo com a idade média dos pacientes. Segundo estimativas, ela dobra
a cada cinco anos a partir dos 65 anos de idade”, explica o autor do
estudo, o neurologista Ranjan Duara, do Centro Médico Monte Sinai, nos EUA. Ou
seja, a prevalência do mal entre a população com 70 anos de idade é duas vezes
maior do que a que existe entre os que têm 65 anos, e assim por diante.
“Nosso cálculos indicam que se conseguissemos atrasar o aparecimento da
doença em cinco anos em média, o número de casos cairia pela metade”, afirma o
médico.
É aí que entra a pesquisa, divulgada na Reunião Anual da Academia
Americana de Neurologia, em Chicago, nos Estados Unidos. Se o elo for
comprovado, ficam abertas as portas de uma excelente e simples medida de saúde
pública contra o Alzheimer.
“Se os governos fizerem campanhas e as pessoas se conscientizarem que basta
beber moderadamente e parar de fumar para se protegerem dessa doença tão
assustadora, acredito que teríamos avanços consideráveis”, diz Duara.
A
pesquisa analisou 938 pessoas de mais de 60 anos diagnosticadas com Alzheimer
“provável”. Os cientistas reuniram informações sobre esses pacientes e
verificaram se eles eram portadores de uma variante do gene APOE, ligada a
um aumento no risco de se desenvolver a doença –- e 27% deles eram. Além
disso, 20% foram considerados fumantes abusivos, porque consumiam um ou mais
maços de cigarro ao dia; 7% bebiam em excesso, mais de duas doses diárias.
De todos os analisados, 17 indivíduos tinham os três fatores de risco:
bebiam demais, fumavam demais e tinham o gene APOE. Neles, o Alzheiimer chegou
cerca de 8,5 anos antes que nos demais – em média, os primeiros sintomas
apareceram aos 68,5 anos. Havia também pessoas que não tinham nenhum desses
fatores, um total de 374 – nelas, a doença surgiu, em média, aos 77 anos.
Duara lembra que estudos anteriores informaram efeitos benéficos do consumo
moderado de álcool, o que representa uma dose ao dia. “É um benefício que só
surge com o consumo moderado. Assim que se torna exagerado, o álcool acelera o
Alzheimer”, explica. Trabalhos que afirmaram que o cigarro teria um efeito
protetor contra a doença erraram, segundo ele. “Não há nada que indique que o
fumo tenha esse efeito. Pesquisas mais novas mostraram que fumar aumenta o risco
de Alzheimer e demência em 50%”, diz ele.
Além de pegar leve na bebida e
parar de fumar, o neurologista recomenda também exercícios regulares e uma dieta
saudável para diminuir as chances de se ter a doença.
A jornalista Marília Juste viajou a convite da Biogen Idec
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