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Aconteceu - 19/06/2008  17h50
Aumento de câncer de pulmão entre mulheres preocupa o Inca
Elton Bomfim
Matos: "O mais grave é que o câncer com maior índice de morte entre as mulheres passa a ser o proveniente do tabagismo."
A chefe substituta da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Valéria Cunha de Oliveira, disse nesta quinta-feira que o número de casos de morte por câncer de pulmão entre as mulheres está aumentando. "Entre os homens o aumento é de 50%, entre as mulheres a estimativa é de 122%", afirmou.

Ela associou o fenômeno a duas causas: o aumento do tabagismo entre jovens do sexo feminino e o envelhecimento das mulheres que passaram a fumar nas décadas de 60 e 70, auge do movimento feminista e do glamour do cigarro. "Estudo em seis capitais do País mostrou que o tabagismo está crescendo entre as jovens. As meninas estão experimentando o cigarro mais cedo e fumando regularmente mais que os meninos", disse.

O quadro foi apresentado hoje em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família e estarreceu o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), que sugeriu a reunião. "É preocupante, até porque a mulher é quem normalmente acompanha os filhos, o desenvolvimento educacional. No momento que a gente observa esse número crescente de mulheres fumantes, esse hábito [de fumar] poderá se estender no âmbito familiar e nas escolas", disse. "O mais grave é que o câncer com maior índice de morte entre as mulheres passa a ser o proveniente do tabagismo", lamentou.

Estímulo ao tabagismo
Valéria Cunha de Oliveira apontou um problema que ainda estimula o tabagismo. "O Brasil tem o sexto cigarro mais barato do mundo", comparou. A deputada Rita Camata (PMDB-ES), então, defendeu o aumento das alíquotas do impostos sobre o produto. Ela disse que o argumento de que essa medida incentivaria o mercado negro do cigarro contrabandeado não procede.

Durante a audiência pública, Rita Camata revelou que, desde setembro, deixou de engrossar as estatísticas de mulheres fumantes. A parlamentar disse ainda que aprendeu a fumar quando era um hábito "chique". Aos poucos, contou, o vício foi-se tornando mais e mais inconveniente.

Ações governamentais
Rita Camata elogiou as ações do Ministério da Saúde para combater o tabagismo, que, segundo ela, foram muito importantes para mudar a imagem do cigarro perante a sociedade. "O Poder Público teve uma atuação fantástica", avalia.

O deputado Guilherme Menezes (PT-BA) também elogiou as medidas governamentais contra o cigarro. "Essas campanhas têm conseguido muito, mas não é apenas uma questão de conscientização. Ele disse que conhece médicos que lidam dia a dia com pacientes acometidos de câncer provocado por tabagismo e que, mesmo assim, fumam.

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Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Regina Céli Assumpção


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