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Ano 64 - terça-feira, 19 de agosto de 2008
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Saúde capacita a rede para o tratamento contra as drogas
PREPARO > ESTADO PRETENDE FORTALECER APOIO A HOSPITAIS E FAZENDAS
Divulgação/GS
Curso durante dois dias teve a participação de 250 representantes de 35 municípios dos vales do Rio Pardo e Taquari
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A etapa macrorregional do curso de capacitação cocaína/crack reuniu sexta-feira e sábado em Santa Cruz do Sul 250 trabalhadores de hospitais, universidades e outras pessoas de 35 municípios dos vales do Rio Pardo e Taquari. A organização esteve sob a responsabilidade da equipe de servidores da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), delegada adjunta e delegada regional de saúde. A programação se desenvolveu em espaço cedido pelo Sindicato das Indústrias do Fumo e da Alimentação, em Santa Cruz do Sul.

A coordenadora da 13ª CRS, Liane Pauli, informou que a atividade é conseqüência da procupação com o crescimento no número de casos de viciados com as drogas. Explica que o governo estadual vai aumentar o número de leitos nos hospitais e fortalecer as fazendas terapêuticas, com apoio financeiro e técnico. Conforme a coordenadora, os viciados vão fazer a desintoxicação no hospital, depois irão para as fazendas terapêuticas para então realizarem o tratamento ambulatorial.

A promoção da capacitação foi da Secretaria Estadual da Saúde, executada pela Universidade Corporativa Mãe de Deus. Na primeira parte do curso houve explicações relacionadas aos conceitos para deixar o grupo no mesmo patamar de conhecimento sobre o assunto. Depois, houve abordagens práticas, como os melhores procedimentos e medicamentação. Os participantes compõem a 16ª Coordenadoria Regional de Saúde, com sede em Lajeado; a 8ª Coordenadoria Regional de Saúde, com sede em Cachoeira do Sul, e a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, de Santa Cruz do Sul.

ATENÇÃO INTEGRAL

Entre os participantes estavam 210 trabalhadores em saúde que fazem parte de serviços que compõem a rede de atenção integral em saúde: técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, médico generalista, ginecologistas, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, odontólogos, auxiliares de consultório dentário, consultores em álcool e drogas, monitores, auditores, visitadores do Programa Primeira Infância Melhor, docentes e alunos da área de cursos de nível superior e técnico na área de saúde.

Na avaliação da coordenadora, Liane Pauli, o curso contribuiu para a avaliação da atenção e possível reestruturação/organização do cuidado em saúde e para amenizar os desconfortos que advêm do uso, abuso e dependência de drogas por parte da população da macrorregião de saúde. Ressalta a importância no fortalecimento da capacitação da rede e da intersetorialidade, com a participação de corporações como os Bombeiros, Brigada Militar e todos os órgãos de saúde.

NÃO HÁ MODELO PRONTO
No primeiro dia do curso, houve o desenvolveimento dos temas origem, preparo, metabolismo, toxicologia e efeitos das drogas, neurobiologia, complicações médicas-clínicas, psíquicas e o diagnóstico da dependência. O assunto foi abordado pela psicóloga Irani Argimon, especialista em toxicologia aplicada, mestre em educação, doutora em Psicologia, docente da graduação e pós-graduação da PUC/RS, psicóloga da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus. No sábado, Carlos Salgado, médico psiquiatra, mestre em psiquiatria pela Ufrgs, preceptor da residência em Psiquiatria do Hospital Presidente Vargas, Coordenador do Departamento de Dependência Química da Sociedade de psiquiatria do Rio Grande do Sul apresentou os temas abordagem­ – primeiro contato com paciente, história de uso da cocaína/ crack e outras drogas, avaliação neuropsicológica, suporte social, abordagem da família, técnicas psicoterápicas, tratamento farmacológico, atendimento ambulatorial individual e grupal, internação, desintoxicação, grupos de auto-ajuda.
Os docentes trouxeram suas experiências de tratamento. Destacaram que não existe modelo pronto para realizar intervenção em dependentes de álcool e outras drogas, pois cada indivíduo é um ser único com suas vivências e envolvidos em contextos diferenciados e cada serviço constrói seu projeto terapêutico institucional. Trataram da dificuldade de adesão a tratamento quando o encaminhamento é imposto e que nestas situações a ausência de motivação para o tratamento, entendida como uma fase da doença, deve ser abordada de forma diferencial. Os participantes do curso cocaína/crack colaboraram com depoimentos e questionamentos.

 
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