Escada simboliza os desafios dos pacientes do DPOC
Que o cigarro é um dos principais causadores de doenças e problemas, todo
mundo já sabe. Mas uma das principais conseqüências do tabagismo, e uma das
piores doenças que ele pode causar, é praticamente desconhecida da
população.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, chamada pelos médicos de
DPOC, é uma condição em que a vítima perde sua capacidade respiratória. “Há
muito tempo já se sabe que o indivíduo que fuma e desenvolve um problema
pulmonar não tem apenas enfisema ou bronquite, mas sim uma síndrome que é um
misto das duas coisas. Este quadro é chamado de DPOC”, afirma o presidente da
Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, o médico José Eduardo
Cançado.
Ela costuma atingir de 35% a 40% dos fumantes e o especialista
explica que é preciso ter uma predisposição genética para desenvolver a doença.
Apesar do percentual parecer pequeno, cerca de 180 mil pessoas são
hospitalizadas através do Sistema Único de Saúde (SUS) e 40 mil morrem todo ano
por conta desta condição. No Brasil, ela é a quinta causa de morte, e no mundo,
a sexta.
Para alertar a população sobre este mal que atinge a capacidade
pulmonar, entidades médicas promovem nesta quarta (19) ações de conscientização
e atendimentos
gratuitos em sete cidades do
país.
Características A DPOC se caracteriza pela
perda da função pulmonar, ou seja, pela diminuição da capacidade de respirar. A
falta de oxigênio no organismo leva à redução da atividade física, que por sua
vez atrofia os músculos. E isso só piora o problema, pois a musculatura tem
papel importante no transporte do oxigênio pelo corpo. Todo este quadro leva ao
comprometimento de outros órgãos, principalmente o coração, e gera uma tendência
ao desenvolvimento de osteoporose e desnutrição.
Em casos extremos, a
dificuldade de respirar é tanta que a pessoa não consegue tomar banho ou se
vestir sozinha. Alguns pacientes chegam a precisar de inaladores com oxigênio o
tempo todo. “A pessoa não morre rápido, mas fica sofrendo com uma falta de ar
tremenda“, conta o médico.
Sintomas De acordo com
Cançado, uma das coisas que a população precisa saber é que a tosse e o pigarro
não são conseqüências comuns do cigarro; eles já indicam que alguma coisa não
vai bem. “O indivíduo fuma e acha que é normal tossir. Não é. O primeiro alerta
é esse. Chiado, tosse, pigarro e catarro indicam alterações, que podem ser o
início da doença”, diz.
O especialista recomenda que quem tem esses
sintomas procure um médico, para verificar como está a condição respiratória e a
probabilidade de desenvolver a doença. Cerca de 90% das pessoas que apresentam o
problema são fumantes ou ex-fumantes. O restante costuma ser causado pela
exposição a outros tipos de fumaças nocivas.
No entanto, se diagnosticada
cedo e a pessoa parar de fumar, é possível prevenir que a doença se desenvolva.
Por isso a desinformação é um dos principais obstáculos ao combate da DPOC.
“Muita gente tem a doença mas não tem o diagnóstico, porque só procuram o médico
em estágio avançado da doença, e aí a resposta ao tratamento é muito pior”, diz
Cançado.
A DPOC é muito mais freqüente em fumantes do que o câncer. O Dia
Internacional de Combate, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e
campanhas como a realizada neste dia procuram justamente educar a
população.
Tratamento José Eduardo Cançado afirma que
não existem remédios para reconstruir a parede dos pulmões, destruídas pela
doença. Mas é possível diminuir a progressão da DPOC, ou até mesmo estancá-la,
principalmente se ela for diagnosticada no início.
“Quem começa a fumar,
não acredita que vai ter uma doença 30, 40 anos depois. Ela demora a se
manifestar, mas depois que começa progride muito mais rápido”, diz. Mais um
motivo para alertar a população a procurar descobrir os casos cada vez mais
cedo.