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29.08.2008
Médicos alertam para riscos do cigarro


Hoje é o dia nacional de combate ao fumo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a cada ano, o cigarro provoca 200 mil mortes no Brasil. Há mais de 50 doenças relacionadas ao consumo de tabaco. Médicos redobram o alerta: até aqueles que não fumam podem ter problemas de saúde.

A aposentada Lúcia Sotelinho de Sá fumou escondido até dentro do hospital, enquanto se preparava para a cirurgia no pulmão, há 12 anos. Só teve um jeito de ela parar de fumar: “Perdendo um pulmão. Infelizmente foi uma coisa muito ingrata da minha parte, ter que chegar a esse ponto para parar de fumar”, admite.

A pneumologista Cristina Cantarino, que atendeu Lúcia, diz que só 25% dos pacientes são tratados no estágio inicial da doença, o que facilita o tratamento.

“O que acontece é que, apesar de todos os avanços em quimioterapia e radioterapia, o tratamento cirúrgico ainda continua sendo a melhor opção, que fornece maior chance de cura do câncer de pulmão”, diz Cristina Cantarino.

A fumaça pode ser fatal também para quem não fuma. Um estudo feito pelo Inca mostra que todo dia morrem no Brasil pelo menos sete pessoas de doenças provocadas pelo chamado fumo passivo.

O Instituto Nacional do Câncer caracteriza como fumante passivo a pessoa que nunca fumou e mora com pelo menos um fumante no mesmo domicílio. Mais de 23 mil pessoas foram avaliadas pela pesquisa no país.

O número de mulheres com câncer de pulmão também está aumentando, segundo o Inca. A atriz Mara Manzan fumou um maço de cigarros por dia, durante 40 anos. Ela teve que se afastar da televisão para ser operada há quatro meses. Na época, Mara fazia a novela “Duas Caras”.

“O câncer é um desafio. Às vezes estou em um lugar, a pessoa vai comprar um cigarro, eu falo, ‘desculpa, mas não compra cigarro. Se soubesse como dói um câncer de pulmão’. O bem mais precioso do mundo é a saúde. Acho que realmente você colocar uma fumaça para dentro e depois soprar não vale a pena de jeito nenhum”, comenta a atriz.

Nem sempre é fácil se livrar do vício. Cristina sugere um ponto de partida: “A primeira mensagem que eu gostaria de deixar é que a fissura, aquela vontade intensa de fumar, dura no máximo cinco minutos . Todo fumante fuma muito mais do que realmente deseja. É uma dica simples que pode ajudar muita gente”.





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