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Vendas de tabaco e antitabágicos caem

Especialistas garantem que aumentou o número de pessoas nas consultas de cessação tabágica

Ivete Carneiro 

Dia Mundial Sem Tabaco é oportunidade para avaliar tendências, cinco meses após a entrada em vigor da lei que proibiu o fumo em locais públicos.

A venda de tabaco baixou 14,2% de Janeiro a Abril, em comparação com o mesmo período de 2007. Uma redução que pode ser atribuída à entrada em vigor da Lei do Tabaco, mas não só.

A subida do preço dos cigarros tem uma quota- parte de responsabilidade. O curioso é que a esta descida - assumida como significativa pelo sector - não corresponde a um aumento do consumo de produtos para deixar de fumar.

Bem pelo contrário. Balanço em Dia Mundial Sem Tabaco. De acordo com Jorge Duarte, da Associação Nacional de Grossistas do Tabaco, a descida de 14,2% no consumo deverá reduzir-se ao longo do ano.

A prova está nos números de Abril, em que a diminuição do número de cigarros vendidos face a Abril de 2007 é apenas de 6%. A recuperação nunca chegará, contudo, aos níveis de consumo anteriores.

E aqui sobretudo devido à subida de preços. "Ainda há tabaco a preços antigos no mercado. O verdadeiro choque vai notar-se no próximo mês".

A pergunta que se impõe é, então, se há gente a deixar de fumar ou simplesmente a reduzir o consumo. Segundo dados da IMS Health, empresa consultora em saúde, nos quatro primeiros meses deste ano, os portugueses compraram menos 11 mil embalagens de produtos anti-tabaco do que de Janeiro a Abril do ano passado. Isto apesar de terem gasto mais 350 mil euros.

E nem o mês de Janeiro - que é sempre aquele em que as vendas sobem exponencialmente - conseguiu superar Janeiro de 2007: no mês de entrada em vigor da lei que proibiu o fumo nos locais públicos, venderam-se 43.319 unidades de fármacos para deixar de fumar, contra 46.470 no ano passado. Portanto, por esta via, há menos gente a tentar deixar de fumar.

Consultas para casos graves

Uma conclusão dado algo difícil de sustentar, dado que aumentou a procura de consultas de cessação tabágica, em que "a maioria das pessoas estão medicadas", garante Luís Rebelo, presidente da Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo e coordenador daquelas consultas na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Até porque se trata de "fumadores pesados", isto é, pessoas que precisam de "apoio intensivo", explica Emília Nunes, da Direcção-Geral de Saúde (DGS). Um fumador pesado é aquele que fuma "muito" e associa doenças ao tabagismo, por vezes psíquicas. "A maioria das situações pode ser resolvida ao nível do médico de família, que só reencaminha para as consultas de cessação tabágica se entender que a situação é complexa".

Embora garantindo que o consumo está a diminuir (confirmada pelo último inquérito Nacional de Saúde), Emília Nunes não consegue explicar a baixa de compra de produtos anti-tabágicos. Luís rebelo, do seu lado, aponta como possível explicação o preço dos fármacos, que não são comparticipados. Até porque os dados da IMS Health agregam os produtos de venda livre e os de prescrição médica obrigatória, podendo haver variações na procura espontânea. Mas, adianta, os números das vendas não podem ser usados como indicador, até porque, de acordo com o Eurobarómetro 2007, "a maioria dos portugueses deixou de fumar sem medicamentos".

Importância da motivação

No mesmo sentido, Emília Nunes aponta "o simples apoio psicológicos e motivacional" oferecido nas consultas de cessação tabágica para o facto de se prescindir de fármacos - que "não são indicados sequer em todas as circunstâncias".

Quanto ao aumento tradicional de procura de medicamentos em Janeiro, tem a ver com a velha máxima "Ano novo, vida nova", diz a especialista da DGS, sendo o dia 1 de Janeiro escolhido simbolicamente como o "Dia D" para largar o vício. Para muitos, adianta, o "Dia D" foi antes do fim do ano, para preparar a nova lei. Uma premissa que, mais uma vez, não se reflecte nas vendas de anti-tabágicos.

A terminologia do "Dia D" é das próprias consultas - são já 215 em todo o país -, que ajudam o fumador a fixar um dia D e acompanham-no em avaliações periódicas, aos três, aos seis e aos 12 meses. Com uma taxa de sucesso que ronda os 20-35%.

Num estudo envolvendo os seus próprios pacientes, Luís Rebelo chegou a uma taxa de de êxito de 24% aos 12 meses. Uma taxa que Emília Nunes aconselha a olhar com cautela: uma consulta num serviço de pneumologia, com casos graves de dependência, pode ter uma taxa de sucesso menor, mas representando um êxito maior do que uma consulta que recebe pessoas pouco dependentes.

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