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Ano 64 - quinta-feira, 31 de julho de 2008
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Editor: Maria Rosilane | rose@gazetadosul.com.br
Santa Catarina declara guerra pelas fumageiras
INDÚSTRIA > POLÊMICA SÃO OS CRÉDITOS DE ICMS
Inor/Ag. Assmann
linhas ameaçadas: sem acordo entre estados, fumageiras com indústria em Santa Catarina se tornam mais competitivas
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O que seria a solução para estancar o acúmulo de novos créditos de ICMS pelas fumageiras gaúchas virou prenúncio de um problema ainda mais abrangente e confirmou que Santa Catarina está declarando guerra pelas indústrias do tabaco. Exatos 20 dias depois de firmar com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul um protocolo reivindicado desde 2005 pelo setor, o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) voltou atrás e publicou um decreto no último dia 24 suspendendo os efeitos do acordo, que passaria a valer a partir de 1º de setembro.

A guinada na política de boa vizinhança dos catarinenses com os gaúchos pode levar mais fumageiras a tomarem o mesmo rumo da CTA Continental, que acaba de anunciar investimento milionário na instalação de uma unidade no município catarinense de Araranguá. Em 2005, quando os repasses insuficientes da União para o Estado relativos à Lei Kandir fizeram explodir o impasse fiscal, a Universal Leaf transferiu uma linha de beneficiamento de Venâncio Aires para Joinville. Atualmente outra gigante do setor, a Alliance One, está negociando com o governo do Estado vizinho.

A suspensão dos efeitos do protocolo é uma ameaça real ao Vale do Rio Pardo, ainda considerado o maior pólo de beneficiamento de fumo do mundo. Entre 70% e 80% da economia regional – principalmente de Santa Cruz do Sul – depende da cadeia produtiva do tabaco, que só nas fábricas gera cerca de 12 mil empregos temporários diretos no primeiro semestre de cada ano. A região perderá empregos, impostos e dinheiro com um investimento em massa das indústrias no Estado vizinho mesmo que elas mantenham as unidades locais, uma vez que processariam apenas o tabaco produzido no Rio Grande do Sul – 50% das cerca de 700 mil toneladas colhidas no Sul do Brasil.

COMPETITIVIDADE

Diretor financeiro da Kannemberg, Astor Bublitz garantiu ontem que sem o protocolo interestadual, instalar unidades de beneficiamento de fumo em Santa Catarina vai virar questão de sobrevivência para as indústrias do setor. “A partir da revogação do acordo nós estamos obrigados, por questão de sobrevivência e de competitividade, a analisar os incentivos que Santa Catarina tem a nos oferecer. E olha que não são poucos”, disse. Ele admitiu que a empresa havia aberto um canal de negociação com o Estado vizinho, mas as tratativas esfriaram com a expectativa de acordo que estancaria a geração de novos créditos de ICMS. “Vemos essa mudança com extrema preocupação. Pensávamos que o problema dos créditos futuros estava resolvido. Mas agora ele voltou. E maior”, acrescentou.

Segundo o diretor da Premium, Carlos Brandt, a situação “vai ficar insustentável” sem o acordo. “As empresas que não instalarem unidade em Santa Catarina vão perder competitividade. Quem ir pra lá terá apenas os créditos passados acumulados e ainda os benefícios do governo catarinense. Isso reduzirá os custos e, por conseqüência, o preço final do produto”, explicou. Para o empresário, a solução está nas mãos do governo gaúcho. “O governo do Estado terá que encontrar uma solução. Se mais uma empresa ir (para Santa Catarina), todas acabarão indo, sob pena de deixarem de ser competitivas”, concluiu. O presidente do Sindicato da Indústria do Fumo (Sindifumo), Iro Schünke, não foi localizado no fim da tarde de ontem para falar sobre o assunto.

WENZEL CHAMA REGIÃO
Acompanhando desde o começo do mês a possibilidade de a Alliance One investir em Santa Catarina, o ex-prefeito de Santa Cruz e atual chefe da Casa Civil do governo Yeda, José Alberto Wenzel, se reúne hoje com representantes das indústrias, dos sindicatos e das prefeituras da região. O encontro começa às 10 horas na Casa Civil, que funciona dentro do Palácio Piratini, e deve contar com a participação de secretários estaduais e deputados. Wenzel, que quando renunciou ao cargo prometeu não virar as costas para a região, quer aproveitar a mobilização para tratar também da retomada das obras do eixo norte da RSC–471
 
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