Acerca do tabaco e da DPOC: O
tabaco, como factor único, é a causa número um de
sofrimento e morte no mundo.
Dr. António José Segorbe Luís Data:
2007-11-05
O tabagismo
está na origem de cinco milhões de mortes por ano.
Estima-se que, em 2020, este número duplique. O fumador
dito saudável vive menos oito a dez anos que o não
fumador. Em presença de patologia pelo tabaco, o fumador
vive menos cerca de 20 anos.
 Para além das
consequências respiratórias que provoca, é oportuno
lembrar que o fumo de tabaco causa também doenças cardio
e cérebro-vasculares, como, por exemplo, cancro da boca,
laringe, pulmão, esófago. No homem, um terço das
neoplasias são atribuídas ao tabaco e está na origem da
diminuição das defesas contra as infecções e
perturbações da função reprodutiva e sexual.
Uma
redução da prevalência de tabagismo na população trará,
a médio e longo prazo, um muito significativo decréscimo
de custos directos e indirectos relacionados com as
patologias com forte associação ao tabagismo – Doença
Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), cancro do pulmão,
doença coronária, entre outros. Mais: do ponto de vista
humano, será uma incomensurável mais valia, por drástica
redução do número anos de vida perdidos por morte
prematura e incapacidade, para além de uma melhoria
geral da qualidade de vida da população. Recordo que o
fumo passivo se associa na criança a maior incidência de
manifestações alérgicas, de infecções de
otorrinolaringologia e do tracto respiratório inferior e
a um maior risco de morte súbita do lactente; no adulto,
o companheiro do fumador tem maior risco cardio-vascular
e de cancro das vias
respiratórias.
Sintomas da DPOC
A
DPOC é uma doença prevenível e tratável, mas uma vez
instalada, e se persiste o hábito tabágico, tende a
progredir lentamente, podendo culminar na insuficiência
respiratória. Quando a evolução da DPOC é assim
desfavorável, as actividades do dia-a-dia – subir
escadas, andar, tomar banho, vestir-se –tornam-se
penosas e difíceis de realizar.
Estima-se que,
entre nós, a DPOC esteja presente em cinco a seis por
cento dos portugueses em idade activa. Crê-se,
consensual e universalmente, de que pelo menos 20 por
cento dos fumadores virão a desenvolver DPOC.
Na
DPOC, os sintomas mais frequentes são, numa fase
inicial, o aumento da produção da expectoração e a tosse
diária e, mais tarde, um cansaço progressivo. O
diagnóstico de DPOC é confirmado pela
espirometria.
A espirometria é um exame
essencial, não apenas para o diagnóstico de DPOC, mas
também para a avaliação do grau de gravidade da doença e
para a orientação da terapêutica. Os resultados da
espirometria chegam a ter valor prognóstico. A DPOC, em
Portugal, está claramente
subdiagnosticada.
Considera-se que o
desenvolvimento de uma rede de espirometria a nível dos
cuidados primários deverá ser uma intervenção
prioritária para uma correcta actuação face à
DPOC.
Para quem já foi diagnosticada DPOC, é
essencial deixar de fumar porque é a medida mais
importante para impedir o agravamento da doença. Mesmo
parando de fumar depois dos 60 anos, está demonstrado
haver melhoria da sobrevida. Valerá sempre a pena pois é
dificilmente contabilizável o sofrimento individual e
familiar que envolve a DPOC (e o cancro do
pulmão).
Uma boa parte de todo este quadro seria
evitável pela evicção tabágica,, necessariamente
suportada por uma legislação actuante – e não
parcialmente actuante, como a que foi aprovada - sobre o
consumo de tabaco.
Em Portugal, existe já uma
associação de cidadãos com DPOC e outras doenças
respiratórias crónicas (RESPIRA). O objectivo da RESPIRA
consubstancia o lema para o Dia Mundial da DPOC de 2007,
no próximo dia 14 de Novembro: “Sem fôlego, mas não sem
ajuda”.
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