Os números são assustadores: há 1,3 bilhão de fumantes no
mundo. Por isso, não é de se espantar que 15 bilhões de
cigarros sejam consumidos diariamente, ou dez milhões a cada
minuto. Se essa tendência continuar, os fumantes estarão
consumindo nove trilhões de cigarros por ano em 2025. No
Brasil, o número de fumantes com mais de 15 anos gira em torno
de 23 milhões, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
O brasileiro fuma 807 bilhões de cigarros por ano. São mais de
dois bilhões por dia ou 1,5 milhão por minuto. O Brasil
corresponde a 2% do total de fumantes no mundo.
Vários levantamentos mundiais e nacionais apontam que o
fumante está ciente dos malefícios do cigarro e dos benefícios
adquiridos após a cessação. Embora haja uma tendência mundial
de queda no número de fumantes, ela está ocorrendo de forma
lenta e gradativa. Enquanto isso, a cada oito segundos, uma
pessoa começa a fumar em algum lugar do mundo. Se colocarmos
na balança os que param e os que começam, fica claro que é
muito mais fácil e rápido se tornar fumante do que ex-fumante.
“Há uma grande lacuna entre a vontade de largar o cigarro e a
prática de parar de fumar”, explica o cardiologista Carlos
Alberto Pastore, diretor de serviços médicos do Instituto do
Coração (Incor) de São Paulo.
Quando alguém acende o cigarro, inala a nicotina, o grande
vilão por trás do tabagismo. “Basta uma tragada para o cigarro
estimular o cérebro. Esse processo leva segundos”, diz
Pastore. No cérebro, a nicotina atua como uma “chave” que
procura sua “fechadura”, um receptor onde essa substância se
ligará. Ao encontrar seu receptor, a nicotina “abre a porta” e
desencadeia todo um processo que culminará com a sensação de
prazer e bem-estar.
Em média, esse sentimento dura uma hora. Passado esse
período, o fumante busca novamente aquele prazer obtido com um
simples gesto: o ato de acender o cigarro. E por aí começa o
ciclo do cigarro. Fisgando o fumante mais e mais a cada dia.
Prazer rápido e sem esforços. É por isso que um trago pode ser
o bastante para viciar. “O cigarro oferece um prazer muito
grande aos fumantes, a um preço altíssimo: a saúde”, diz
Pastore.
Daí a dificuldade em se desvencilhar de um hábito que traz
tanto prazer. E quando o cigarro começa a criar conflitos na
vida do fumante, parar de fumar se torna uma meta real. Porém,
para muitos, ainda inatingível.
***
Depressão influencia
Há outra pergunta que precisa ser feita aos fumantes: por
que uma pessoa procura o cigarro? Segundo o cardiologista
Carlos Alberto Pastore, cerca de 40% dos fumantes são pessoas
com depressão. E buscam no cigarro um preenchimento dessa
sensação de vazio. Por isso, ao largar o vício, é preciso
substituir a lacuna deixada pelo cigarro. É comum o ex-fumante
buscar refúgio na comida. “Por isso, as mulheres são quem mais
têm dificuldade de largar o cigarro. Elas têm medo de
engordar”, explica o médico.
E para quem pára, o desafio de evitar recaídas é
incessante. O dia-a-dia continua o mesmo. Há vários gatilhos
que lembram o ex-tabagista do cigarro. O cotidiano é tão
presente que o cigarro faz sua falta ser percebida, como se
fosse uma pessoa, um colega. “O ideal é que o fumante que
queira parar busque algo tão saboroso quanto o cigarro para
substituir o tabaco”, explica. Por isso que a procura por
ajuda médica é fundamental nesse processo. “Há várias formas
de o fumante engajado em abandonar o vício vencer a luta sem
passar por tantas dificuldades. Grupos de apoio, ginástica e
medicamentos, associados a terapia comportamental e
acompanhamento médico, são a melhor solução”, conclui.
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