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Consultas para deixar de fumar
duplicaram após a lei do tabaco
DIANA
MENDES
Há cada vez mais pessoas a procurar as consultas de
desabituação tabágica. Desde que a nova lei foi aprovada em Junho, "o
número de pessoas a procurar as consultas duplicou", redisse ao DN Luís
Rebelo, presidente da Confederação Portuguesa de Prevenção do
Tabagismo.
Este é um sinal de que "as pessoas se estão a habituar à
lei. Começam a perceber que vão surgir limitações ao fumo no trabalho e
nos restaurantes". Além do Centro de Saúde de Alvalade, onde dá consulta,
o médico refere que muitos profissionais estão a verificar a mesma
tendência.
"Há pessoas que vêm ter connosco com casos importantes e
necessidades claras. Temos uma professora que se sentia incapaz de dar
aulas porque fumava três maços por dia", refere. A questão é relevante
porque apenas 5% a 10% dos dois milhões de fumadores conseguem abandonar
os cigarros sem ajuda de um médico, medicamentos ou a sua
combinação.
"Dos 90% de fumadores que restam, 20% (360 mil) estão
preparados para deixar de fumar, desde que tenham condições, ou seja,
medicamentos, consultas ou terapias." Mais um argumento a favor do reforço
do número de consultas.
A nova lei, que entra em vigor no dia 1 de
Janeiro, prevê uma consulta em cada centro de saúde e hospital. Mas, por
enquanto, existem apenas 147 consultas no País. De acordo com a
Direcção-Geral da Saúde, há 187 consultas, mas a soma inclui as que ainda
vão abrir no Norte. Sérgio Vinagre, o coordenador do Programa de Tabagismo
da Região Norte, avança que "está prevista a abertura de 160 consultas,
uma por cada dez médicos de família". O programa é mais ambicioso do que a
lei, porque "há e haverá ainda mais procura", o que justifica, por vezes,
três ou mais consultas por centro.
Mas nem todos os fumadores têm
de ir à consulta especializada -"que chega a ter uma taxa de sucesso de
25%" -, que absorve apenas os casos mais complicados. O responsável frisa
ainda que já estão formadas quase 90% das equipas necessárias para a
abertura das consultas.
Luís Rebelo, ressalta que a procura é
grande, mas que a cobertura ainda está "longe de ser suficiente. Na região
de Lisboa apenas existem 28 consultas, no Algarve duas e no Alentejo só há
quatro. O Centro está um pouco melhor, com 43 ao todo.
Os vários
especialistas mostram grande preocupação com os mais jovens. "17% dos
adolescentes fumam", diz Segorbe Luís, presidente da Sociedade Portuguesa
de Pneumologia. A solução passa "pela educação, intervenção dos pais, mas
sobretudo pelo aumento do preço do tabaco". O aumento das consultas e
administração de medicamentos, com taxas de sucesso entre 12% e 20% é
fulcral. Além disso, "todos os médicos devem falar sistematicamente com os
doentes fumadores. Há uma grande percentagem que não o faz", conclui .
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