Hoje, dia 16 de novembro, marca a passagem do Dia
do Não Fumar. Esta e outras datas têm captado a atenção da opinião
pública, com o objetivo de enfatizar os malefícios do fumo. Apesar
do extenso trabalho dirigido aos fumantes, especialistas destacam
que o foco precisa ser ampliado, incluindo ações intensas sobre os
não-fumantes, especialmente crianças e adolescentes.
O oncologista Murilo Buso, do Centro de Oncologia e
Hematologia de Brasília, lembra que 90% dos atuais fumantes deram
início ao vício antes dos 19 anos. "Muitos jovens começam a fumar
como uma forma de auto-afirmação. Eles não se preocupam com o
futuro, porque os efeitos maléficos do cigarro não são imediatos.
Mas se não se conscientizarem desde cedo, largar o cigarro fica
muito mais difícil depois", explica.
Um levantamento feito pela Santa Casa de
Misericórdia do Rio de Janeiro com 800 fumantes em quatro capitais
revelou que a média de idade para começar a fumar é 13 anos. Dr.
Murilo afirma que de cada três pessoas que dão a primeira tragada,
uma se torna fumante. "Não é possível definir com que freqüência de
fumo essa pessoa já estará viciada. Por isso é preciso deixar bem
claro para os jovens que fumar, além de ser um hábito desagradável,
causa impotência, aumenta o risco de câncer e de doenças cardíacas,
entre outros males", alerta.
O tabaco é a segunda droga mais consumida entre os
jovens, o que em parte se deve às facilidades e estímulos para
obtenção do produto, como o baixo custo. A isso se somou a
publicidade, que até pouco tempo atrás era maciça e associava o
tabaco às imagens de beleza, sucesso, liberdade, poder, inteligência
e outros atributos desejados pelos jovens. Documentos secretos da
indústria do cigarro descrevem crianças e jovens como "reservas de
reabastecimento", indicando que eles devem se tornar dependentes do
cigarro cada vez mais cedo.
Muitos jovens começam a fumar seguindo o exemplo
dos próprios pais fumantes. "Mesmo não conseguindo largar o cigarro,
os pais precisam convencer os filhos dos malefícios do fumo. A
melhor maneira de fazer isso é assumindo que o tabagismo é uma
patologia - possui até CID (Código Nacional de Doenças). A
dependência química trazida pelo cigarro é muito séria e a maioria
dos jovens não tem maturidade para assumi-la", lembra Dr.
Murilo.[14]
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS),
o total anual de mortes no mundo devido ao uso do tabaco chega a 4,9
milhões, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia. Caso as
atuais tendências de expansão do consumo sejam mantidas, o número
subirá para 10 milhões em 2030.