A sociedade brasileira, apesar de inserida num contexto de país emergente, está ainda longe de possuir, na sua maioria, hábitos básicos de higiene e de saúde bucal.

A adoção por um bom número de municípios brasileiros de adição de flúor no tratamento da água encanada, e campanhas de higiene bucal nas escolas, foram, segundo dados preliminares de uma pesquisa do Ministério da Saúde, as grandes responsáveis pela redução da cárie da população brasileira nos últimos anos. ¹

Embora a meta traçada pela Organização Mundial da Saúde OMS, para o ano 2.000, de até três dentes afetados por criança, tenha sido alcançada nas capitais do país, não há o que comemorar.

Infelizmente, até 1.997, apenas 42% dos brasileiros consumiam água fluoretada, e apesar de algumas regiões como a Capital do Estado de São Paulo apresentarem índice de duas cáries entre crianças, e a capital Vitória do Espírito Santo ter média de apenas uma lesão de cárie entre crianças de doze anos, outras, como a Capital Boa Vista de Roraima, apresentam índice de seis cáries entre crianças da mesma idade. ¹ Dados mais recentes já estão publicados na página oficial do Ministério da Saúde na Internet.

A Municipalização da Saúde, com a participação do governo federal apenas através do repasse de verbas pelo Sistema Único de Saúde - SUS, e o fim da participação direta dos Estados a partir de 1.999, como o caso do projeto IEB - Inovações no Ensino Básico, do Estado de São Paulo, em parceria com o Instituto Maurício de Sousa, no ano de 1.998 ², fizeram com que cada município busque seus próprios institutos de Procedimentos Coletivos de higiene bucal e prevenção à cárie.

Falamos em institutos, pois não se tratam de campanhas esporádicas, mas de uma sequência de procedimentos adotados de forma perene, sistemática e planejada.

O objetivo deste trabalho é justamente favorecer às crianças, aos jovens e também aos adolescentes brasileiros o acesso, a conscientização e o hábito do uso do fio dental, além da escovação, como um ato de higiene, saúde e civilidade, dentro de parâmetros de bons costumes e de moral higiênica.

O simples ato de levar ao cidadão menos favorecido economicamente o acesso e a conscientização da necessidade do uso do fio dental em conjunto com a escova de dente gera, acreditamos, um aumento do reconhecimento de que o Poder Público vela e se preocupa com sua saúde e seu bem estar.

Cremos que, além da necessidade de se democratizar e transparecer os atos e decisões governamentais, é indispensável incutir na sociedade brasileira menos favorecida economicamente a conscientização da necessidade do hábito da higiene como instituto de qualidade de vida.

Observamos ainda que uma política de disseminação do uso do fio dental reforçaria a conscientização da importância do uso da escova de dente, instrumento popularmente mais difundido e imprescindível no universo do combate às cáries.

Estamos, pois, também falando de prevenção de um mal e, consequentemente, uma posterior economia no sistema de tratamento clínico dentário à população, atualmente ainda tão deficitário.

Delimitamos o presente estudo como um Projeto Específico de Odontologia Preventiva Social em Nível de Hábitos Higiênicos, socorrendo-nos da definição de Mário Chaves quanto ao termo Odontologia Preventiva e classificação de níveis de prevenção de doenças bucais. ³

1) O FLÚOR venceu, Veja, 07/05/97, p. 71.

2) vide nota nº 1 do cap. 7.

3) Mário M. CHAVES, Odontologia Social, p. 18. Que seriam em cinco níveis: 1º) promoção da saúde (nutrição adequada, alimentação detergente, hábitos higiênicos, oclusão normal, genética); 2º) proteção específica (fluoração da água, fluoração escolar, comprimidos fluorados, flúor no sal, aplicações tópicas, métodos de autoaplicação, dentifrícios fluorados, controle do açucar, salentes oclusais); 3º) diagnóstico precoce e tratamento pronto; 4º) limitação do dano; e 5º) reabilitação do indivíduo.